Não consigo compreender por que pedem, durante os avisos que antecedem os filmes no cinema, para que desliguem os pagers antes da sessão começar. Com essa febre de blackberries e iphones da vida, quem será o dinossauro que ainda usa um pager para receber mensagens?
...
Outra coisa que me confunde a cabeça durante os avisos:
"em caso de emergência, mantenha a calma"
sempre soa para mim como:
"em caso de emergência, não tenha calma"
Essa alucinação auditiva começou quando fui pela primeira vez no cultuado cinesesc assistir ao super longa-metragem (super porque tem 9 horas de duração, divididas em 3 partes) Tulse Luper Suitcases, de Peter Greenaway.
Depois deste filme, nunca mais escutei a frase da mesma maneira.
Estranho.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
entre agora e daqui a pouco
Por conta de um certificado que foi emitido cheio de erros, aliás terríveis, tive que fazer a troca de um documento errado por um correto e mais atualizado. Quando recebi o envelope contendo a papelada velha não me dei conta de que havia um cartão junto, provavelmente porque a obra foi dada de presente a alguém. Claro que não resisti a tentação de abrir e ler. Yes, I'm a bit Maria Helena.
Um cartão, enviado de filho para pai, falando sobre a sensação de ser filho/pai no dia dos pais. Achei meigo e resolvi copiar um trecho do bilhete, sem editar possíveis erros de concordância:
"Que grande dia será domingo. Sei que vou passar por isso daqui umas décadas. Chegar no dia que deixamos de ser filho pra ser pai, de deixarmos de sermos protegidos para proteger. E com vc sinto tudo isso desde o primeiro dia, o amor, o acalanto, a sensação de estar protegido."
Não sei muito bem se todos os pais protegem e todos os filhos são protegidos. Acho que essas relações são bastante relativas - tem filho por aí que protege mais que muito pai. E muito pai que é protegido, mas enfim...
...
Não tão agradável assim foi o acidente que vi, melhor dizendo, ouvi hoje pela manhã. Estava a caminho do ponto de ônibus dobrando a esquina da Augusta, quando ouvi o barulho de uma forte pancada: POW!
Uma mulher atravessou a rua e foi atingida por uma moto. Caiu torta no asfalto, seu salto foi parar do outro lado da pista, ela se contorcia de dor. Todo mundo parou em volta: algumas pessoas fotografavam a cena, outras se aglomeravam em cima da vítima como se fossem moscas em cima de um polpudo bolo de chocolate. E ainda outras tentavam mantê-la acordada fazendo perguntas.
Por um momento pensei em ir la falar com ela mas como já tinha muita gente, resolvi apenas mentalizar um mantra e seguir pro trabalho.
Por uma fração de segundos senti de forma mais aguda a fragilidade de estar vivo. Percebi também que não deveríamos ter tanta pressa pra fazer as coisas. Viver é fácil - difícil é saber viver.
...
Abertura sábado aqui na galeria com uma proposta bastante incomum: transferir parte do acervo para o meio da sala de exposição.
Inteligente, bem humorado, subversivo, irônico. É isso o que vejo quando olho pra montagem.
Um cartão, enviado de filho para pai, falando sobre a sensação de ser filho/pai no dia dos pais. Achei meigo e resolvi copiar um trecho do bilhete, sem editar possíveis erros de concordância:
"Que grande dia será domingo. Sei que vou passar por isso daqui umas décadas. Chegar no dia que deixamos de ser filho pra ser pai, de deixarmos de sermos protegidos para proteger. E com vc sinto tudo isso desde o primeiro dia, o amor, o acalanto, a sensação de estar protegido."
Não sei muito bem se todos os pais protegem e todos os filhos são protegidos. Acho que essas relações são bastante relativas - tem filho por aí que protege mais que muito pai. E muito pai que é protegido, mas enfim...
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Não tão agradável assim foi o acidente que vi, melhor dizendo, ouvi hoje pela manhã. Estava a caminho do ponto de ônibus dobrando a esquina da Augusta, quando ouvi o barulho de uma forte pancada: POW!
Uma mulher atravessou a rua e foi atingida por uma moto. Caiu torta no asfalto, seu salto foi parar do outro lado da pista, ela se contorcia de dor. Todo mundo parou em volta: algumas pessoas fotografavam a cena, outras se aglomeravam em cima da vítima como se fossem moscas em cima de um polpudo bolo de chocolate. E ainda outras tentavam mantê-la acordada fazendo perguntas.
Por um momento pensei em ir la falar com ela mas como já tinha muita gente, resolvi apenas mentalizar um mantra e seguir pro trabalho.
Por uma fração de segundos senti de forma mais aguda a fragilidade de estar vivo. Percebi também que não deveríamos ter tanta pressa pra fazer as coisas. Viver é fácil - difícil é saber viver.
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Abertura sábado aqui na galeria com uma proposta bastante incomum: transferir parte do acervo para o meio da sala de exposição.
Inteligente, bem humorado, subversivo, irônico. É isso o que vejo quando olho pra montagem.
sábado, 5 de setembro de 2009
terça-feira, 25 de agosto de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
mais uma vez na paulista
Sexta-feira depois do trabalho, resolvi comprar um presente de aniversário para meu pai, aproveitei para andar pela Rua Augusta. Passei em uma lanchonete vegetariana engajada-moderninha no caminho, fiz um lanche e na volta, cortei caminho pelo Conjunto Nacional.
Passei reto pelas vitrines da Livraria Cultura, resistindo bravamente a tentação de entrar e olhar lançamentos. Daí, na hora de atravessar a Avenida Paulista uma coisa bem engraçada aconteceu.
Quando o sinal ficou verde e as pessoas começaram a atravessar, um cara que estava na calçada central, entre as duas pistas, começou a tocar bateria, uma outra pessoa triângulo e outra um pandeiro. Começou então um bailão em plena faixa de pedestres, todo mundo dançando um baião-forró-rasgado-for all. Atravessando e dançando.
É claro que eu também entrei na brincadeira e atravessei o percurso dançando alegremente.
Já estava um final de tarde mais que agradável e depois de chegar ao outro lado da rua fiquei com vontade de esperar para atravessar de volta para mais uma vez retornar e seguir para casa. Mas não fiz.
Achei que a doçura daquele momento deveria caber naquela atravessada só e mais nenhuma.
...
Hoje depois de mais uma vez voltar do trabalho, mais uma vez ter caminhado pela Augusta, mais uma vez ter cortado caminho pelo Conjunto Nacional e ter mais uma vez resistido as vitrines sedutoramente decoradas da Livraria Cultura, caí na mesma faixa de pedestres na Avenida Paulista.
Mas desta vez a barulheira não vinha de pratos nem de triângulos. Mas de apitos e gritos de "Fora Sarney" vindo de milhares de pessoas usando nariz de palhaço.
"Ei você que está olhando, o Sarney tá te roubando!!" gritavam as pessoas.
...
Morar perto da Paulista tem muitas vantagens, e talvez a maior delas seja justamente essa possibilidade permanente de surpresas.
Passei reto pelas vitrines da Livraria Cultura, resistindo bravamente a tentação de entrar e olhar lançamentos. Daí, na hora de atravessar a Avenida Paulista uma coisa bem engraçada aconteceu.
Quando o sinal ficou verde e as pessoas começaram a atravessar, um cara que estava na calçada central, entre as duas pistas, começou a tocar bateria, uma outra pessoa triângulo e outra um pandeiro. Começou então um bailão em plena faixa de pedestres, todo mundo dançando um baião-forró-rasgado-for all. Atravessando e dançando.
É claro que eu também entrei na brincadeira e atravessei o percurso dançando alegremente.
Já estava um final de tarde mais que agradável e depois de chegar ao outro lado da rua fiquei com vontade de esperar para atravessar de volta para mais uma vez retornar e seguir para casa. Mas não fiz.
Achei que a doçura daquele momento deveria caber naquela atravessada só e mais nenhuma.
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Hoje depois de mais uma vez voltar do trabalho, mais uma vez ter caminhado pela Augusta, mais uma vez ter cortado caminho pelo Conjunto Nacional e ter mais uma vez resistido as vitrines sedutoramente decoradas da Livraria Cultura, caí na mesma faixa de pedestres na Avenida Paulista.
Mas desta vez a barulheira não vinha de pratos nem de triângulos. Mas de apitos e gritos de "Fora Sarney" vindo de milhares de pessoas usando nariz de palhaço.
"Ei você que está olhando, o Sarney tá te roubando!!" gritavam as pessoas.
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Morar perto da Paulista tem muitas vantagens, e talvez a maior delas seja justamente essa possibilidade permanente de surpresas.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
welcome back, rotina
Faz um tempo que não escrevo aqui, talvez por falta de assunto, talvez por falta de tempo ou mesmo indisposição. Na verdade não tive muito tempo pra processar os últimos acontecimentos, não consegui arrumar minhas coisas direito e também não sei se quero descer desse trem expresso pra parar e pensar nessas coisas todas. Porque era exatamente isso que desejava: arrumar um emprego, voltar ao kung fu, a rotina de sempre - enfim, ocupar a cabeça com coisas que me desviassem do pensamento a saudade e nostalgia. Guardar na lembrança com carinho os últimos meses é diferente de pensar neles todo dia e colocar defeito em tudo, porque certas vezes perece que tudo a nossa volta está repleto de defeitos e qualquer coisa externa poderia ser melhor. Não estar satisfeito nunca é realmente uma merda.
Então acho que escolhi a satisfação e a leveza. Ora bolas, se o tempo está devorando tudo nessa velocidade, nada melhor que me aproveitar desta condição e caminhar no ritmo.
...
Estou aprendendo muito neste novo trabalho, outra galeria de arte, outros ares, novas artes. Principalmente a trabalhar a malemolência que adquiri ao longo destes últimos meses errando pelo mundo sozinha.
domingo, 2 de agosto de 2009
genghis khan

Nessa quinta-feira convidei meu pai para sair e fomos ali na Rua Augusta assistir o filme sobre o guerreiro Genghis Khan. Tava um frio de rachar mas estava muito a fim de assistir o filme porque afinal a história sempre me interessou. Genghis Khan, ou Temudjin, provavelmente nascido na segunda metade do século 12, era filho de um grande líder mongol e lá pelos seus 9 anos de idade ficou órfão, tendo que sobreviver sozinho fugindo de perseguições.
Sofreu feito um diabo, foi feito escravo, casou, teve sua esposa roubada, foi feito escravo de novo, fugiu, reencontrou a bela novamente até que depois de estabelecer uma posição, digamos assim, confortável entre os "clãs amigos" - tornou-se um grande estrategista e líder. Conquistou a mongólia, o reino Tangute, marchou em direção a China, conquistou Pequim, foi pra Pérsia, depois territórios ao sul da Rússia e Ucrânia. Uma barbaridade. E depois de sua morte seu filho se encarregou de expandir a campanha.
Apesar de me considerar uma pessoa pacifista, essas histórias de guerra das antigas muito me fascinam. Ainda mais sabendo que se trata de uma pessoa que saiu literalmente do zero e conquistou boa parte do mundo conhecido naquela época. E eu que me achava o máximo por acertar laranjas (quando praticava todo dia) a 20 metros de distância - imaginem que as flechadas dos guerreiros do grande Khan atingiam cerca de 500 m. Brilhante!
Mas apesar de ter gostado bastante do filme e adorar a história como um todo, acho que se o filme fosse meu, distribuiria melhor o tempo ao longo da trajetória dele, mostraria mais sobre a ascensão como líder e tentaria descrever de alguma forma visual, como ele foi longe e quanto foi conquistado por seu exército. Colocaria algo mais além dos letreiros.
...
Lembro que no começo desse ano assisti um documentário sobre um norte-americano maluco que tenta até hoje achar o túmulo de Ganghis Khan. Conseguiu permissão do governo da Mongólia, montou um acampamento e através de pesquisas e estudos tentou mapear as estepes. E toda vez que chegavam perto de alguma pista quente, acontecia alguma cousa sobrenatural que os forçava a interromper os trabalhos. Do além.
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